Slowdown

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Sei que este post me vai demorar três vezes mais tempo a escrever. Sei que vou ter que fazer muitas paragens a meio. Sei que vou ficar frustrada a meio, que vou ter que respirar fundo tantas vezes e que vou pensar em desistir outras tantas. E agradeço tudo isso. Há uns tempos escrevia aqui a necessidade que às vezes sentia de ter um tempo a uma voz, a minha. Tempo para parar e avaliar aquilo que sou aos 26 anos. Tempo para descobrir as coisas pequenas – as melhores – da minha vida. Um tempo privilegiado para fazer planos que me transformem para melhor enquanto mulher, mãe, mulher dele, trabalhadora, amiga, etc.

Na quinta-feira passada saí do trabalho de mota, como de resto acontece todos os dias. Ia buscar o Vasco e por essa razão a pressa para o ter ao colo e encher de mimo era enorme, é sempre. Estava a chover o que aumentava a possibilidade da coisa não correr tão bem. Não correu e às cinco da tarde tinha três polícias a dizer a menina não se pode sentar porque pode ter partido a coluna enquanto eu respondia que tenho sangue alemão, sou rija, deixe-me lá tirar o capacete e sentar-me num sítio mais confortável que este chão está molhado e gelado. Tenho sangue irlandês também, talvez tenha sido isso que o convenceu. Apareceram bombeiros, apareceu o INEM. Fui a atração turística daquela quinta-feira à tarde para muito boa gente. Puseram-me uma espécie de cobertor à volta e disse-lhes que nunca tinha usado nada assim tão fashion no meu blog. Riram-se. Continuava a ser preciso ir apanhar o Vasco e por isso segui sozinha para o hospital. E foi aí que começou o melhor do meu dia, do meu mês, do meu ano.

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Faz-me bem tocar aquilo que é a fragilidade humana. A mim faz-me bem. Preciso disto porque preciso de me relembrar tantas vezes que o dia tem só 24 horas, não tem as 32 que gosto de o convencer que tem. Preciso de precisar de ajuda. Preciso de precisar de pedir ajuda. Preciso de dar valor às coisas pequenas, como o poder pegar no meu filho. E preciso de depender de alguém. Nos tempos que correm dependência é sinal de falhanço mas eu gosto da dependência. Gosto de depender do amor dos que estão à minha volta. Se gosto!

Aterrei no hospital de S. José sozinha, um hospital de campanha como ele diz. Precisei de pedir ajuda muitas vezes porque não conseguia fazer nada sozinha. Pedi ajuda a quem estava como eu, porque um braço mais um braço dá dois e já abrem uma porta sem esforço. Consultas, exames, raio-X, sensação de ombro desencaixado e o veredito: quatro a seis semanas sem pegar no meu miúdo e uma fratura da clavícula, secundário face ao primeiro statement. E tem sido assim: dependência para abrir a porta do carro, para me deitar, para mudar uma fralda ao Vasco, para me servir de um copo de água. E está-me a fazer bem, está mesmo. Voltar a ter que simplificar. Voltar a estar sozinha de molho em casa, quando estive acompanhada nos últimos 9 meses de gravidez + seis de Vasco. Tempo para parar e avaliar aquilo que sou aos 26 anos. Tempo para descobrir as coisas pequenas – as melhores – da minha vida. Um tempo privilegiado para fazer planos que me transformem para melhor enquanto mulher, mãe, mulher dele, trabalhadora, amiga, etc. E para assistir ao Vasco a crescer ao longe, mas perto 🙂

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Fotografias de dias tão bons no campo 🙂 Obrigada por todas as mensagens de melhoras que me têm chegado, daqui a pouco tempo estou outra vez pronta para as curvas – de carro!

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