Um tempo a dois

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O tempo voa mas disso já estava avisada. Sabia que as horas não esperam por nós e devemos ser nós a esperar por elas garantindo que quando chegam estamos de braços abertos e agenda livre para as aproveitar ao minuto. De repente passaram vários meses e a vontade de voltar atrás grita mais alto. Não vai acontecer, já sei. Os filhos vão continuar a crescer em estatura e sabedoria e cabe-nos a nós pedalar mais rápido para estar em cada um desses momentos de corpo e alma e coração e tudo o mais que consigamos levar na mochila.

Um dia trago para aqui uma amiga, daquelas com A grande. Depois de ter recebido uma bolsa para estudar em Princeton, uma das Universidades mais conceituadas dos EUA, teve o seu primeiro filho. Na altura perguntei-lhe o que ia responder a todas aquelas propostas de trabalho que não faltariam a uma aluna brilhante como ela. Disse que a decisão se auto-tomava quando pensava que não queria ser ela a ouvir a primeira gargalhada do filho, as primeira tentativas de andar e por aí fora. #stayathomemum

Na altura aquilo desconcertou-me.

Estava longe da fase em que estou agora e não percebi logo o alcance daquela resposta. E agora, nestas tardes de sol e frio de Outono, dou por mim a agarrar num casacão e a levar o Vasco no marsúpio. Corremos meia Lisboa em conversas a dois e mostro-lhe cada coisa pela primeira vez, isto é um pato e a isto chamamos vento, meu amor.

Na altura aquilo desconcertou-me.
Mas agora, aquela forma de vida concerta cada segundo disto a que chamam ser mãe.

 

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